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Mostrando postagens de outubro, 2021
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  A CANTINHO Ernâni Getirana Como toda moça de família abastada do interior naquela época, Doca era uma menina muito religiosa e trabalhadora. Fôra batizada, crismada, tivera a primeira eucaristia rodeada por toda a família.   Morava na Cantinho, uma fazendinha que ganhara esse nome de seu bisavô materno, lá ela era muito feliz, obrigado. Os pais tiveram o cuidado para que ela aprendesse a ler, escrever e contar. Não à toa Doca possuía um diário no qual, vez ou outra, brotavam até uns poemas. A fazendinha tinha coisa de uns 200 hectares, ‘uma coisinha de nada se comparada às fazendas de seu Milton Brandão’, ele, o bisavô, dizia. Mas Doca até que achava aquilo tudo até grande. E essa impressão ficava bem clara na cabeça da moça quando, por exemplo, ela acompanhava o pai e irmãos na ‘mudança do arame farpado’ das cercas da fazendinha, de tempos em tempos. ‘Vocês acham a nossa propriedade grande? Pois fiquem sabendo que grandona mesmo são as do deputado Milton. Tem uma que a ...
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  A TOCA DA TIA DOCA   CAPÍTULO 01 – VAMOS DIZER QUE ERA ASSIM   Vamos dizer que a casa de Tia Doca era uma casa grande, alta e comprida e ficava em uma esquina, como de fato. A porta da frente dava para a avenida com nome de coronel, assim como seis das oito janelas que a casa tinha. A porta da frente era de puro cedro e envernizada. Ficava aberta o dia todo. Naquele tempo as casa costumavam ter as portas e as janelas abertas, escancaradas. As seis janelas, também de cedro, ficavam três de cada um dos lados da porta da frente e eram igualmente envernizadas. Contudo, embora também ficassem abertas, em cada uma havia um para-sol feito de cambraia pregado com tachinhas em um retângulo de madeira. Quem passasse ali não conseguia ver o que havia dentro da casa, a não ser que ficasse nas pontas dos pés. Tia doca fazia questão dos para-sóis, um para cada janela. Era muito bom para evitar poeira e olhares curiosos. Hein, hein. A sétima e a oitava janelas ficavam no lad...