A
TOCA DA TIA DOCA
CAPÍTULO
01 – VAMOS DIZER QUE ERA ASSIM
Vamos dizer que a casa de
Tia Doca era uma casa grande, alta e comprida e ficava em uma esquina, como de
fato. A porta da frente dava para a avenida com nome de coronel, assim como
seis das oito janelas que a casa tinha. A porta da frente era de puro cedro e
envernizada. Ficava aberta o dia todo. Naquele tempo as casa costumavam ter as
portas e as janelas abertas, escancaradas. As seis janelas, também de cedro,
ficavam três de cada um dos lados da porta da frente e eram igualmente envernizadas.
Contudo, embora também ficassem abertas, em cada uma havia um para-sol feito de
cambraia pregado com tachinhas em um retângulo de madeira. Quem passasse ali
não conseguia ver o que havia dentro da casa, a não ser que ficasse nas pontas
dos pés. Tia doca fazia questão dos para-sóis, um para cada janela. Era muito
bom para evitar poeira e olhares curiosos. Hein, hein.
A sétima e a oitava janelas
ficavam no lado, na ‘rua do aguaceiro’, que era como Tia Doca chamava a rua. A
sétima janela estava sempre fechada, pois era a janela do quarto da papa-ôvo,
uma cobra de veado legítima que botava guarda dos surrões de farinha, milho e
feijão ali estocados e tinha como missão comer os ratos que por acaso
entendessem de querer roubar comida. Além destas duas janelas laterais, lá mais
adiante dando para a varanda havia a
porta lateral, menos imponente do que a
porta principal. Depois desta ainda havia uma janelinha bem alta e pequena, já
quase chegando na cozinha. Aí começava a
cozinha e depois desta era só muro até perder de vista e que ia dar lá na outra
rua (que nem rua era, de tantas locas, pés de espinhos e capim que tinha). Mas
aqui já estamos falando da Doca mulher feita, casada e morando já na cidade.
Então é preciso que conheçamos a Doquinha, menina nascida no interior,
inteligente, astuta e fazedora de um tudo.

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