MAS O QUE DIZEM OS POEMAS? Parece voz geral que a poesia perdeu vertiginosamente espaço nas páginas dos jornais. Em oposição a essa constatação, tem crescido o número de revistas e blogs de poesia. Duas observações que precisam ser levadas em conta. O resto, bem, o resto é poesia manifestada nos poemas. E feliz 2022. PS. “O poema é essa entidade estranha, que comunica um conteúdo incerto de maneira muito precisa” (Caetano Galindo). GRÃO DE ARROZ Roubam a cena que há pouco Roubava o olhar Da menina no casamento da repousa A menina tece a varanda E a trama dos bilros Nos toc-toc secos e macios Música para meus olhos. Acaricia, ainda que por instantes, O tecido da vida. Fora da rede Nenhuma preguiça vale Fora do olhar Nenhuma imagem bate Fora da vida Nenhuma palavra lavra As coisas e os processos deixam de ser ( Ernâni Getirana ) CUIDADO! Este poema é frágil Ele se derrete todo No meio de teus lábios vermelhos ( Gerci...
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Mostrando postagens de março, 2022
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FESTA NA CASA DO GARIMPEIRO DE OPALA (parte II) Ao chegar à mina por volta das oito e quinze da manhã, já havia muitos homens trabalhando. Depois alguns me contariam que haviam chegado lá por volta das cinco. A impressão que tive foi de que eram formigas no formigueiro. A imagem é batida, mas por isso mesmo foi essa imagem que se assentou em meu cérebro. Isso porque logo que se chega à primeira das muitas curvas do último trecho da estradinha que leva o visitante aos barreiros da mina, percebe-se que se está, pelo lado esquerdo, ao sopé vertical de um morro que tem para mais de uns trinta metros. Já pelo lado direito, o talhado quase se perde de vista. São uns oitenta metros de buraco. Ainda por cima a descida é íngreme, a areia é solta e a estradinha é estreita. Toda atenção é pouco e o aventureiro precisa descer em primeira marcha. A coisa toda mete mais medo ainda se a pessoa (e este era meu caso) souber do acontecido que há quarenta anos vitimou o engenheiro de...
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ECOS DA SEMANA DE 22 A efeméride pelos cem anos da Semana de Arte Moderna, ocorrida em São Paulo nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 (quando a Proclamação da República fazia cem anos de existência), prova apenas que a semana continua influenciando nos dias de hoje o panorama da arte brasileira, suscitando debates por vezes apaixonados de parte a parte. Figuras como as de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Manuel Bandeira, dentre outras, já de há muito fazem parte dos compêndios escolares (uma tentativa de ‘enquadrá-las?). Talvez, mas significa também a aceitação por parte do establishment do legado daqueles jovens intempestuosos. Agora, quando se mergulha mais profundamente na ‘semana’, podemos perceber as múltiplas dicotomias, as disputas, o assanhamento dos egos dos modernistas (afinal eram todos humanos). A ida do escritor Ruy Castro ao programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 7 de fevereiro próximo passado, atirando para tudo...
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CONFISSÕES DE AMOR EM PLENO CARNAVAL Não importa que não tenha carnaval esse ano. Não sou mesmo muito carnavalesco. O importante é que estejamos, nós dois, aqui nesse quarto, nessa cama, nos entendendo perfeitamente. Curtindo esse nosso amor em todo o seu esplendor. Me vêm lembranças de como tudo começou. Não consigo mais viver sem ti. Desde que te conheci, soube logo que este nosso amor seria eterno. Desde as primeiras horas da manhã, até às altas horas da noite estamos sempre juntos, um perto do outro compartilhando segredos e pequenas recordações. Alegrias e tristezas, saudades e situações raras, sonhos e desejos, nossas vidas se cruzaram desde aquela primeira vez em que bati os olhos em ti. Ainda lembro, era um sábado de primavera e as rosas dos jardins da praça saudavam os passantes com inquestionável colorido. Havia borboletas, Tu ainda não sabias, mas iríamos iniciar naquela manhã primaveril uma verdadeira Love Store . Confesso-te que já saí de casa deci...
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A NECESSIDADE (SEMPRE ATUAL!) DA LITERATURA Uma série de estudos aponta para o fato inquestionável de que a literatura perdeu a centralidade da vida cotidiana das pessoas letradas. No século 19, por exemplo, estas pessoas costumavam discutir fervorosamente o ‘último romance’ escrito por fulano ou beltrano. Dizem os acadêmicos que uma coisa desse tipo seria impensável nos dias de hoje. O século 20 introduziu o ‘império da imagem’ (cinema, TV, vídeo-game, internet), varrendo a leitura de literatura para debaixo do tapete das preocupações cotidianas. Mas se é assim, como explicar, por exemplo, o fato de meninos e meninas de 13, 14, 15 anos debruçarem-se por horas sobre grossos volumes de 600, 700 páginas de Harry Potter e de O Senhor dos Anéis? E o que dizer das inúmeras feiras e salões de livros por todo o país, centenas de sites, blogs e podcasts tratando somente de ...Literatura?! Aqui colocamos nossa tese: é preciso investir em literatura/leitura junto às criança...