A ENORME CATERPILLAR da MINA de OPALA BOI MORTO (*) ( Ernâni Getirana ) Sindô nem pôde acreditar quando avistou aquilo. Certo que fazia mais ou menos um mês que não dava as caras para as bandas da mina Boi Morto, mas aquilo era demais. Como o bicho homem era capaz de fazer aquilo tudo, como? Ele já tinha visto numas revistas que Mr. Freak Lee trouxera da Austrália. Ali havia muitas fotos daquelas coisas, mas ele nunca nem sonhara em ver uma de perto. Não resistiu e tão logo o jeep com Dr. Nilson parou, o menino pulou para o chão e correu para perto da enorme escavadeira e passou a mão bem devagar com um riso solto no rosto como a certificar-se de que aquilo era mesmo real. O toque afastou a cobertura de pó avermelhado e, então, o aço da máquina deixou o observador admiradíssimo. Dr. Nilson Lacerda, depois de desligar o carro, tratou logo de carregar sua inseparável bolsa de couro a tiracolo e mais uns mapas, binóculo dependurado no pescoço e outas coisas mais. Ao mesmo tempo Mr...
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farra noturna (Ernâni Getirana) Eu sou o anjo negro, Inequívoco semeador do horror. Eu sou o estrangulador De sonhos. Sou aquele que vai te esfolar vivo Regando teus últimos instantes de vida Com teu próprio sangue sangrado De tuas veias abertas por minha adaga de prata. Eu sou aquele que te ata à cruz invertida, Que te desossa os membros e os arremessa Aos abutres. Sou o que te impulsiona para o abismo Para tomares absinto e olhares as últimas estrelas Cadentes nessa tua vida de miséria e dor Sou o golpe de misericórdia Que te decepa a cabeça Que rolando pelo cadafalso, Separada do corpo ainda pensa: - Por quê? Por quê? Por quê?
PROGRAMA PEDRO II DE RIQUEZAS - APRESENTAÇÃO ZAEL SOUZA E LETY NEVES - ...
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I SALIP2 2016 escritora convidda Letícia Wierzchowski, escritor homenageado Ernâni Getirana
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E O POETA CHEGOU À ACADEMIA, VIVA SUA POESIA ! Piauiense de Angical, 1943, o poeta Climério Ferreira foi eleito no dia 9 de abril do Ano da Graça do Senhor de 2022 para ocupar a cadeira de número 36 na Academia Piauiense de Letras, cujo antecessor imediato foi o escritor Assis Brasil (1929-2011). Climério está na estrada da poesia desde 1975, e lá se vão quarenta e sete anos, quinze livros e mais de cem letras de canções espargidas aos quatro cantos do Brasil por grandes nomes da Música Popular Brasileira. Como se sabe, nos anos setenta, Climério, juntamente com seus outros dois irmãos, Clodo e Clésio (já falecido), formaram um trio, o ‘São Piauí’, cujas canções são ainda hoje cultuadas. Ao lançar dois livros em 2021, “Canções de Amor & Desespero” (Caravana Editorial, Belo Horizonte) e A Música Imóvel do Tempo (Fundação Quixote, Teresina), disse, ao falar de sua maneira de poetar: “Moro perto de ônibus, então vejo as coisas. Ou coisas que lembro, histórias, lembranças, o...
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ONDE HOUVER TREVAS QUE EU LEVE LIVROS A citação acima é a senha de entrada no SALIPI (Salão do Livro do Piauí) este ano, ou melhor, trata-se de uma edição em dose dupla. A um só tempo o evento homenageia os poetas Climério Ferreira e Graça Vilhena. A programação do SALIPI está sendo realizada no espaço Rosa dos Ventos, na Universidade Federal do Piauí, de a 13 a 19 de dezembro de 2021 sob o formato híbrido, com público presencial (mediante inscrição previamente realizada pela internet) e transmissão de lives. Fui convidado para o bate-papo literário presencial com o renomado professor de literatura Romero Lima acerca do meu mais recente livro “ Debaixo da Figueira do Meu Avô ”, evento a realizar-se/realizado neste 16 de dezembro (16 horas). O referido livro é uma “ficção memorialista”, como costumo dizer, que pretende dar conta das sagas geracionais dos últimos 160 anos na cidade de Pedro II, Piauí. Além deste evento, participarei/participei juntam...
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Artigo – A flor do Jardim do Éden da poesia de Eva Leite Conheci Eva Leite através dela mesma, em uma conversa que mantivemos pelo facebook. Isso já faz alguns anos. Na conversa ela dizia de sua vontade de vir a Pedro II (ela é natural de São Gonçalo, interior do município de Milton Brandão, Piauí) durante uma das edições do Festival de Inverno para lançar um de seus livros. Acho que por esse tempo ela vivia em Brasília ou São Paulo. Para encurtar a conversa, Eva veio de mala e cuia para Pedro II (e já participou do Festival com a APLA – Academia Pedro-segundense de Letras e Artes- e o Coletivo P2), embora de vez em quando vá passar uma temporada no DF. Eva Leite é uma dessas mulheres intensas, sua condição de cadeirante não a impede se fazer o quê gosta, pintar (com a boca) e compor poemas, por exemplo. Sua disposição para a vida está em seu olhar e atitudes. Bem articulada com as palavras, culta, Eva (que é tetraplégica) sabe o quê quer em arte: exercer a sua ludicidade, diria ...